19 de dezembro de 2009

Wally finalmente em exposição

Wally é meu chapa há anos. Desde o final dos anos 80, encontro ele pelo bairro afora, e sempre, naturalmente, nosso papo descamba para assuntos diversos como poesia/literatura/música/política/artes/ecologia/cangaço/Brasil/futebol/cultura popular/desigualdade social, etc etc etc. Tranqüilamente, eu e ele poderíamos ficar tomando cerveja um dia inteirinho, com o papo fluindo sem pausa e quase sempre na mesma sintonia. Eu o considero um dos maiores batalhadores culturais de São Caetano, um artista que segue a sua intuição e nunca-jamais-nem pensar, se vende ou muda sua postura por política, poder, dinheiro ou status. Pessoa rara hoje em dia. Há 20 e tantos anos, está na labuta do grafismo, do grafite, da pintura, da arte na parede e durante esta longa jornada se aventurou vez em quando em arte plástica mais tradicional, via quadro. Pois eis que por estes dias, ele me surpreende mais uma vez, trazendo-me em mãos um convite para a sua exposição intitulada "Frag-Mental", com obras em telas, selecionadas especialmente para este debut. Finalmente uma exposição somente sua! O artista Roberto Romero, que eu conheço por R.Wally, merece muito mais. Que esta nova fase abra as portas para uma nova dimensão em sua prolífica carreira!

Exposição "Frag-Mental"
por Roberto Romero (R.Wally)
19 de dezembro de 2009 a 31 de janeiro de 2010 ( inauguração 19/12 a partir das 20hs)
Local: Ibérica Cultural & Idiomas
Rua Taipas, 645 - Bairro Barcelona - São Caetano do Sul
Contato: 4227-6333 (Entrada Franca)

18 de dezembro de 2009

Simpsons 20 anos

Aos 20 anos, completados agora em dezembro, Simpsons já é um clássico absoluto. A animação, com seu jeito impiedoso, sarcástico e cheio de referências pop, revolucionou o jeito de se fazer desenho para a tv. E que seja dito: desenho pra marmanjo, principalmente, já que trata de sexo, drogas, comportamento, política, entre outros assuntos, de um modo bem abrupto e politicamente incorreto. Simpsons é um colírio para olhos que se arregalam diante de tanta hipocrisia e etiqueta vindas do mundo modernoso (e xaroposo). Um exagero aqui, outro ali, mas nada que desbote seu afiado humor despudorado.
A Fox acabou de lançar o pôster oficial dos 20 anos, uma atualização da primeira versão feita na época do longa metragem da série, em 2007. Vale a pena procurar entre os personagens principais, algumas figuras da vida real, como roqueiros, políticos e celebridades em geral. Afinal, uma das grandes sacadas dos roteiristas foi justamente misturar pessoas do mundo real ao univeso simpsoniano.
Vejam a seguir, o pôster comemorativo e algumas cenas antológicas com grandes roqueiros do nosso mundo:
http://www.ew.com/ew/special/0,,20327492,00.html (arrastem o mouse para a visualização completa).
Simpsons meet The Beatles: http://www.youtube.com/watch?v=zlzmYpnZHaU
Simpsons - Music Collection: http://www.youtube.com/watch?v=7AkrUPuzWbw

14 de dezembro de 2009

Glenn Hughes - "The Voice of Rock"

Glenn Hughes, um dos melhores vocalistas da história do rock, está no Brasil, e suas apresentações serão para poucos privilegiados. O velho e bom roqueiro adora a terra brasilis e vem ao país pela quarta ou quinta vez (a última foi em 2007). Além de ótimo baixista, Hughes sempre teve uma garganta privilegiada, o que o levou a participar de grandes formações clássicas do rock, como Deep Purple (entre 1974 e 1976, ao lado de David Coverdale), Trapeze (1970 a 1973) e Black Sabbath (1986), além de projetos com o Rainbow e Tommi Iommi. Outra característica peculiar de sua trajetória é o seu fascínio pela música negra como o rithm'n blues e o funk, fazendo com que o seu som se mostre suingado na maioria das vezes.
Ele já tocou em Santa Catarina na sexta, no Orquídea Rock Festival de Lages, e entre hoje e sexta se apresenta em shows especiais e/ou pequenos: hoje estará no Rhino Pub em São Paulo, na quarta é a vez do Carioca Club (apesar do nome, também em São Paulo), que contará com a abertura da rediviva Casa das Máquinas (ver matéria abaixo) e dia 18 fecha de novo com Santa Catarina, no Floripa Music Hall. Para quem prefere vê-lo no sofá, ele estará amanhã ao vivo com o "titio" Marco Antonio, a partir das 18 horas na Kiss FM e mais tarde, participará do programa Todo Seu, do Ronnie Von ( TV Gazeta, a partir das 22hs).
Na sala, no gargarejo ou no camarote, vale a pena conferir porque Glenn Hughes é chamado a muito tempo de 'The Voice of Rock'.
Site/ cartazes e datas: http://www.glennhughes.com/tour.html
matéria (Glenn e Casa das Máquinas): http://territorio.terra.com.br/noticias/?c=21521
Glenn Hughes c/Rata Blanca atacando de Deep Purple: http://www.youtube.com/watch?v=r1xds0xwRDU
Glenn Hughes ( tocando clássico do Trapeze): http://www.youtube.com/watch?v=rsl_ScR6ZUk
Deep Purple live in California -1974 (ao lado de David Coverdale): http://www.youtube.com/watch?v=1JAVUiADsG4&feature=related
Glenn na Austrália, soltando a voz: http://www.youtube.com/watch?v=ZSVXvXji3Vk

8 de dezembro de 2009

Consciarte

O meu amigo Rick Berlitz vinha fazendo belos resgates no seu blog Fóton Átomo, mas ultimamente estava disposto a dar uma sacudida na sua página, que segundo ele, estava sem um foco mais nítido. Pois ele não só sacudiu, como redefiniu tudo. Saiu o Fóton, entrou o Consciarte, com novo layout, nova proposta e muito mais informação. A música, sempre ela, tem destaque especial. Confiram o novo blog e o último post, uma bela homenagem ao maestro soberano Tom Jobim, que nos deixou há exatos 15 anos:
http://consciarte.wordpress.com/2009/12/08/especial-15-anos-sem-tom-jobim/

7 de dezembro de 2009

A elegante e charmosa Elenco

Finalmente as maravilhosas capas da gravadora Elenco estarão expostas para o público, como obras de arte. A partir de quarta-feira (09), abre-se a exposição Elenco: a cara da bossa, com curadoria do designer Marcello Montore, no Instituto Tomie Ohtake, reunindo de forma inédita todas as 75 capas do selo. Nada mais justo para uma concepção gráfica inovadora que acabou virando a cara, a capa e o portrait da bossa-nova, mesmo que tenha surgido quando o movimento já se consolidara. Se essas preciosidades do designer brasileiro vieram à luz e fizeram história, devem tudo a três pessoas: Aloysio de Oliveira, o pai da criança, compositor e produtor tarimbado que conhecia meio mundo da música e da bossa e resolveu criar um selo próprio, depois de ser dispensado de duas majors; Chico Pereira, ex-Odeon, fotógrafo e "enturmado" desde os tempos das reuniões em apartamentos na pré-história do movimento - seu nome bombou na internet no início do ano, após vazamento de um registro feito em sua casa em 1958, com João Gilberto tocando violão antes de gravar o seu primeiro LP ; e César Villela, diretor de arte, também ex-Odeon, que vestiu o grafismo das capas com um minimalismo elegante e virou referência. Esses três já tinham mostrado a ponta do iceberg na Odeon anos antes, mas na Elenco, arrebentaram. Produção bacana, um elenco mágico de artistas, capas inovadoras e uma música universal - tudo em cima, menos o money. A distribuição da Elenco era restrita e acabou definhando em pouco tempo. Aloysio colecionou dívidas, Chico e César não ganhavam nada - embora adorassem criar para a Elenco. Todo esse desprendimento e paixão deixou marcas: a música, eterna, embora no caso, sempre "fora de catálogo", depois de reedições esporádicas; e as capas, magníficas, charmosas, concisas, e que agora podem ser apreciadas ao vivo, como obras de arte que são.
A exposição: 09/12/2009 a 10/01/2010 - Terça a domingo, das 11h às 20h - entrada gratuita
Instituto Tomie Ohtake - Av.Faria Lima, 201- Pinheiros - SP

Para saber mais sobre a Elenco e Aloysio de Oliveira:
http://www.rabisco.com.br/16/elenco.htm
Para saber mais sobre Cesar Villela:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2008/07/31/ult5955u28.jhtm
As famosas capas:
http://freakshowbusiness.com/2009/08/02/as-capas-dos-discos-da-gravadora-elenco/
http://bizarremusic.com.br/elenco/elenco2.htm

2 de dezembro de 2009

Milton Andrade - uma vida dedicada à cultura


Foto: Luzia Maninha/Livraria Alpharrabio

Hoje cedo, bati o olho no Diario do Grande ABC pendurado na banca do Carlão e logo vi a notícia, no rodapé da primeira página: "Morre aos 72 anos, Milton Andrade". Já sabia que ele lutava contra um câncer, mas essas notícias sempre nos pegam no contrapé e nos derrubam. Para quem não sabe, Milton foi um dos maiores ativistas culturais da região do ABC, produzindo e incentivando diversas manifestações artísticas e literárias. Nascido em Itapira e formado em Direito e Letras, adotou o ABC como lar e celeiro de idéias e projetos nos anos 60, logo mostrando ao que veio. Montou grupo de teatro, organizou o Salão de Arte Contemporânea de Sao Caetano em 1967 e um ano depois, foi o artífice da Fundação das Artes de São Caetano, entidade que dirigiu por 16 anos e transformou em parâmetro para a área. Nas ocasiões em que desgarrava-se da região, também deixava marcas: coordenou o Festival de Inverno de Campos de Jordão,em 1980, criou a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de Sao Paulo e foi diretor-técnico do MAM de São Paulo. Lecionou Literatura, escreveu matérias literárias e teatrais para jornais e depois de muita relutância, lançou "O Inventor de Paisagens", seu único livro de poesia, em 2001, pela Alpharrabio Edições. Como ator e diretor, participou de diversas peças, muitas delas premiadas, e dos anos 90 pra cá apareceu nacionalmente em novelas e minisséries da TV Globo como Terra Nostra, Esperança e Os Maias. A sua figura distinta direcionava-o para papéis de juíz, padre ou executivo e foi assim, elegantemente, que o Brasil conheceu-o. Tive o privilégio de estudar na segunda turma do Colégio Eduardo Gomes em 1983, na gestão dele como diretor. 10 anos depois, reencontrei-o algumas vezes na porta do Chaplin Bar, altas horas da noite: eu com minha turma de rock alcoólico, ele, vizinho da balbúrdia, pedindo encarecidamente que fizéssemos menos barulho- mantinha a elegância até nessas horas. Nos anos seguintes, batemos papos rápidos em encontros esporádicos no bairro e eu sempre fiquei com uma baita vontade de me convidar pra ver sua lendária biblioteca particular de 10 mil volumes. Por vergonha, nunca mencionei-a, mesmo sabendo que as portas de sua casa estavam sempre abertas para estudantes, pesquisadores e eventuais caçadores de sabedoria. A sua intenção nunca foi guardar sabedoria, mas transmití-la. Por isso essa ânsia em ensinar e essa militância cultural perene. É por essas e outras, que Seu Milton vai deixar saudade...

30 de novembro de 2009

O funk carioca que não é o funk carioca

Falei do Tim Maia em algum post atrás, e bateu uma baita saudade. Que vocais eram aqueles, guturais, que bem podiam criar trovões retumbantes como sussurros arrepiantes? Imaginem o passional Tim, se ainda estivesse por aqui, o que não estaria dizendo sobre esse auto-intitulado "funk carioca", que de funk não tem nada... certamente trovejando impropérios, como era de seu costume. O pancadão pode seguir em frente, sem problemas – ele lá e eu aqui postando coisas do meu gosto. Mas bem que podiam mudar o nome desse estilo (MC Beat carioca? Rio SambaBeat? Sei lá...)
Funk carioca, da gema, com pitadas de brasilidade, é esse que a “moçada” abaixo fazia. Aqui não tem instrumento imaginário, não. Ironia à parte, o “funk” original feito no Brasil era e é chamado de “soul”, sem distinguir o que é mais romântico e lento dos momentos mais pesados. Incluí o Leo Maia, pra mostrar que o som ainda está no ar.
Tim Maia: http://www.youtube.com/watch?v=Jucvl4kuYnM
http://www.youtube.com/watch?v=miJXlOXvpao
http://www.youtube.com/watch?v=VqJSW4Uituk&feature=fvw
Cláudio Zolli: (atenção: clipe quentíssimo) http://www.youtube.com/watch?v=PEsNpiDeKV0&feature=related
Leo Maia:
http://www.youtube.com/watch?v=ybqnZ_MC2D0&feature=channel
Di Melo: http://www.youtube.com/watch?v=FPxNT2JbtFo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=-knpuRZAdNI&feature=related
Miguel de Deus: http://www.youtube.com/watch?v=9sDaxC89WFo&feature=related
Carlos Dafé e Banda Black Rio: http://www.youtube.com/watch?v=g1Znnoz0xkc&feature=related
Banda Black Rio e Gerson King Combo: http://www.youtube.com/watch?v=kg3gFp7BpVo&feature=fvw
Banda Black Rio: http://www.youtube.com/watch?v=2Y7GgaHfGGQ&NR=1
Tim Maia e Banda Black Rio: http://www.youtube.com/watch?v=hya88GalQ1Y&feature=related
Gerson King Combo: http://www.youtube.com/watch?v=TYee9cuY9Lw&feature=related
Gerson King Combo & SuperGroove: http://www.youtube.com/watch?v=RzQ88Lp5aZk&feature=related
SuperGroove: http://www.youtube.com/watch?v=3o6gXoYRl1I&feature=related
Toni Tornado: http://www.youtube.com/watch?v=gSE5llgjZC8&feature=related

28 de novembro de 2009

Who´s Who: Band Aid e USA for Africa

Não existiu década igual a de 80. Que outra conseguiria reunir em uma mesma gravação Ray Charles e Cindy Lauper? Harry Belafonte e Bruce Springsteen? Boy George e Paul McCartney?
Esses e outros inusitados encontros aconteceram em dois projetos grandiosos que arrecadaram milhões em prol da fome e geraram na mesma proporção, críticas ferrenhas contra o processo de distribuição da dinheirama. Independente das intenções e resultados, vale a pena rever essas imagens originais da britânica Band Aid (1984), formação que inspirou a americana USA for Africa, surgida dois meses depois, já em 1985. Do lado do Reino Unido, o cabeça foi Bob Geldof, ex-punk que depois do sucesso dessa empreitada ( que teve seu auge em 1985, no show Live Aid) hasteou bandeira definitiva nas causas sociais. Do lado americano, os mentores foram Harry Belafonte ( que deu a idéia) e Michael Jackson e Lionel Ritchie (os compositores de We Are the World). A gravação original de Do They Know It's Christmas?, na Inglaterra, foi feita em um único dia, 25/11/1984, completando agora, portanto, 25 anos.
Antes dos links, destaco algumas curiosidades e observações dos dois projetos:
*Band Aid:
- pelas imagens, parece que muitos músicos gravaram separadamente.
- Bono e Sting, figuras fáceis já na época.
- de acordo com as fontes, estavam presentes David Bowie (!) e Kool and the Gang (!!!). O duro é achá-los nas imagens...
- Paul McCartney tocou baixo na terceira formação da Band Aid, em 2004. Já na primeira, deve ter se escondido ( talvez ao lado de David Bowie).
*USA for Africa
-Bob Geldof, o cabeça do projeto inglês, participou do coro ( e fez palestra nos bastidores)
- Harry Belafonte, o dono da idéia do projeto americano, teve participação discreta no coral, ao lado de ícones da música americana como Al Jarreau e Smokey Robinson ( que desperdício de vocal, ein?)
- A dupla Hall & Oates marcou presença. Só que separados: Darryl Hall participou como vocalista principal e John Oates fez número no coro.
- Tito, Jackie, LaToya e Marlon representaram os Jackson no coro. Já Michael Jackson, ao que parece, gravou sua participação vocal separadamente.
- O coro realmente teve formação eclética, incluindo Sheila E. ( lembram?), The Pointer Sisters e Bette Midler. Mas quem foi o infeliz que escalou o Dan Akroyd ali?
-O Brasil tava lá: entre os instrumentistas, Paulinho da Costa, percussionista brasileiro, que já tocou em zilhões de gravações pelo mundo.
Links:
-Clipe original Band Aid: http://www.youtube.com/watch?v=8jEnTSQStGE&feature=fvst
-Clipe original USA for Africa: http://www.youtube.com/watch?v=k2W4-0qUdHY
-Histórico Band Aid: http://pt.wikipedia.org/wiki/Band_Aid
-Histórico: USA for Africa: http://pt.wikipedia.org/wiki/USA_for_Africa
-Band Aid 20 anos depois: http://www.youtube.com/watch?v=HzlQD_aqgnc
-Bastidores de USA for Africa: (1) http://www.youtube.com/watch?v=8GA5NvqGg0s
(2) http://www.youtube.com/watch?v=uTnJp7UFcx8&feature=related

27 de novembro de 2009

Conversa de Jorge Ben Jor

Uma preciosa dica do nobre Rick Berlitz , que repasso à vocês: a entrevista de Jorge Ben Jor na Trip deste mês, feita pelo desenbaraçado jornalista Pedro Alexandre Sanches. O homem falou à beça, fato inédito em sua carreira. Falou de alquimia, Tim Maia, crianças, cachorro, Taj Mahal, Beco das Garrafas, Jovem Guarda, Tropicália, futebol (claro), livros, B.B. King, poesia e música, muita música. Acompanhem na íntegra, aqui:

24 de novembro de 2009

Freddie Mercury

Em 24 de novembro de 1991, exatos 18 anos atrás, falecia Freddie Mercury, um dos vocalistas mais versáteis do rock. Insubstituível como Mick Jagger nos Stones ou Bono no U2, Mercury não só tinha uma garganta abençoada, mas também era um frontman de primeira e ótimo compositor ( "Bohemian Rhapsody", "Somebody to Love", "Love of My Life", "Play the Game" e "We Are the Champions" são algumas de suas criações). O Queen voltou em 2005 com os fundadores Brian May e Roger Taylor em companhia do vocalista Paul Rodgers, ex-Free, Bad Company e The Firm e chegaram a gravar um disco de inéditas em 2008 e excursionar pelo mundo (Brasil, lógico, incluído). Rodgers é considerado um dos melhores vocalistas do rock e Mercury era seu fã declarado. Mas como os próprios remanescentes sabem, o estilo de um não tem nada a ver com o do outro, daí o cuidado em batizar o projeto de Queen + Paul Rodgers e produzir material inédito. Mesmo assim, teve um monte de puristas que meteu o pau. Na minha opinião, May e Taylor, com o legado e a bagagem que trouxeram do Queen original , podem fazer o que bem entenderem. Deixem os caras viverem...
Mas vamos ao que interessa: o vocal fantástico e a presença inesquecível de Mister Freddie Mercury, que eu tive o privilégio de assistir ao vivo no Rock in Rio, em 1985, e que deixou momentos mágicos, registrados em fonogramas, películas e nas mentes e corações dos que o ouviram.

23 de novembro de 2009

O Piano e a Estrada

Finalmente à venda o aguardado "O Piano e a Estrada" do intrépido jornalista Marcelo Mazuras, que eu conheço desde que os rios eram limpos e pelada na rua não significava prostituição. O livro conta a vida e a obra do mais premiado pianista brasileiro, Arthur Moreira Lima e a trajetória heróica de seu caminhão-teatro, projeto que há anos leva música da melhor qualidade para todos os cantos do nosso Brasilzão, dos grandes centros aos vilarejos escondidos, embrenhando-se por estradas que cortam selvas, rios e sertões deste país-continente.
A primeira parte, biográfica, mostra as origens familiares e a ascensão fulminante do pianista carioca, que aos 10 anos já ganhava prêmio como solista e aos 18 anos dava início a uma vitoriosa carreira internacional que só durou pouco mais de uma década porque sua paixão pelo Brasil falou mais alto. Essa volta à terra natal também é esmiuçada pela narrativa vibrante da obra, assim como a paixão pelo futebol, suas inclinações políticas, os projetos musicais e os amigos, parentes e heróis que nortearam sua vida. A segunda parte traz à tona o maior projeto profissional de Arthur, iniciado em 2002 e ainda vivíssimo: os grandes roteiros Brasil adentro à bordo de seu caminhão-teatro, levando a música mundial para a população brasileira de Norte a Sul. Até o início de 2009, foram 23 estados percorridos e 246 cidades incluídas - uma empreitada inédita pela sua proposta, logística e duração. Mazuras acompanhou essa saga estradeira desde o começo, como assessor de imprensa, vindo daí os melhores ângulos capturados e as grandes sacadas nas entrelinhas.
Fiquei muito honrado por integrar a equipe de pesquisa desta importante obra, indispensável para quem gosta de música. E não é só música clássica não. Nas suas 320 páginas repletas de fotos e perfis, surgem grandes músicos brasileiros e internacionais, alguns de seu círculo mais próximo: Mozart, Bach, Astor Piazzolla, Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, João Carlos Martins, Tchaikovsky, Arnaldo Estrella, Marguerite Long, Nélson Freire, Chopin, Van Cliburn, Martha Argerich, Radamés Gnatalli, Elomar, Heraldo do Monte, Paulo Moura, Luiz Gonzaga, Nélson Gonçalves, Ney Matogrosso, Rafael Rabello, Laércio de Freitas, entre outros. E também amigos e heróis de outras esferas: Didi ( meia da seleção), Cláudio ( amigo de infância e ex-goleiro do Santos), João Saldanha, Luis Carlos Prestes, Brizola, Rolim Amaro, Omar Fontana, Millôr, Adolpho Bloch, entre tantos.
Um livro de fôlego, híbrido de trajetória de vida e trajetos na estrada. Com um fundo musical intenso e emocionante, alcançando a alma do Brasil.
O livro "O Piano e a Estrada" está à venda nos sites ( na Folha tem desconto):

19 de novembro de 2009

Songs and Comics - Quando os quadrinhos encontram os discos


O LP, para afixionados como eu, não é só um LP e ponto. Ele representa muito mais do que uma embalagem e um disco. A capa, por exemplo, pode chamar a atenção de cara, por causa de um close fotográfico bem tirado, uma montagem ou um desenho especial. Ao contrário do CD, que minimizou o espaço e relevou a capa à irrisória figuração, o LP elevou seu relevo frontal ao status de arte. Agora imaginem grandes cartunistas e desenhistas dos comics arriscando neste front! o resultado geralmente é fabuloso. A maioria das parcerias une a arte dos quadrinhos à capas de rock ou punk, mas no caso do lendário Robert Crumb, pai do quadrinho underground, a coisa adentra o terreno místico do blues americano e o portrait é fantasticamente etéreo.
Lá em cima, alguns capas exemplares desta sinergia: a famosa capa de Robert Crumb para o LP da banda de Janis Joplin, a Big Brother & Holding Company (1967) e uma amostra da arte de Ken Kelly, famoso capista americano de HQs de terror e fantasia, que fez clássicas capas para o Kiss.
Por enquanto fico com os dois. Mas postarei mais sobre o assunto em breve, pois o tema dá pano pra manga.
Para saberem mais:
Uma ótima matéria do blog da MTV sobre Crumb e sua relação com a música: http://mtv.uol.com.br/ideafixa/blog/um-passeio-pelo-universo-musical-de-robert-crumb
Uma completa lista das capas de Crumb, aqui: http://rateyourmusic.com/list/darb321/album_covers_by_r__crumb
Matéria de 2005 do Universo HQ sobre Ken Kelly: http://www.universohq.com/quadrinhos/2005/n15072005_03.cfm

17 de novembro de 2009

50 anos sem Villa-Lobos


Há exatamente 50 anos atrás, em 17 de novembro de 1959, falecia Heitor Villa-Lobos, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, se não o maior. Um dos fortes motivos para tamanha amplitude certamente reside em seu caráter conciliatório e desbravador, que fez com que o erudito, o folclore, o choro e as raízes brasileiras se entranhassem em sua obra única.
Villa-Lobos conheceu o Brasil à fundo e também escancarou-se para o mundo, o que lhe fez para sempre um compositor universal. Ao lado de Tom Jobim, mestre Villa é patrimônio nosso, e deve ser item obrigatório em todo currículo escolar que se preze.
Segue abaixo uma seleção especial do compositor, para fechar em grande estilo esse dia de comemoração à sua obra:

Villa por Villa: http://www.youtube.com/watch?v=KLbZLmIhggA
Arthur Rubinstein: http://www.youtube.com/watch?v=DvwZ7EblCdY
Turíbio Santos: http://www.youtube.com/watch?v=lqnVCIzyVEU&feature=PlayList&p=890BA70BB13A729C&playnext=1&playnext_from=PL&index=7 Andrés Segovia
http://www.youtube.com/watch?v=J0SvC3NG6tI&feature=PlayList&p=890BA70BB13A729C&playnext=1&playnext_from=PL&index=6 Villa por Villa II
http://www.youtube.com/watch?v=UZkEYK4WKKg&feature=related
Depoimento de Villa-Lobos parte I ( 1951)
http://www.youtube.com/watch?v=z3uzM_q4h5k&feature=related
Depoimento de Villa Lobos parte II (1951)
http://www.youtube.com/watch?v=NEk95jHc1Ng&feature=related
Bachiana Brasileira Nº 2
http://www.youtube.com/watch?v=pjDZUetrDCM&feature=related
Edu Lobo
http://www.youtube.com/watch?v=coJjqZCDrw0
Quinteto Villa Lobos
http://www.youtube.com/watch?v=1r_YWu58EjE
Museu Villa Lobos
http://www.museuvillalobos.org.br/villalob/biografi/villaeua/index.htm

13 de novembro de 2009

Rock Postal



Eu tenho alma de colecionador, daí meu gosto por revistas, livros, figurinhas, gibis, discos, selos, miniaturas, e tudo o mais que possa ser colecionável. Vez em quando, os assuntos se misturam: capas de discos assinadas por grandes quadrinistas ( em breve postarei uma seleção sobre), graphic novels sobre a vida de grandes artistas, entre outras misturas. Em outubro li notícia sobre uma homenagem do correio inglês à grandes capas de discos do rock/pop britânico, incluindo Stones ( Led it Bleed), The Clash (London Calling), Led Zepellin ( IV), David Bowie (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars), ColdPlay (A Rush of Blood to the Head) entre outros. Enquanto essas mini-preciosidades não aparecem, procurei alguns selos que homenagearam os baluartes do rock mundial. Só achei Elvis e Raul! alguém sabe de outros?

11 de novembro de 2009

Doce e ácida Via Láctea: a longa estrada entre a mineirada, MJ e o acid jazz

Por Rogério Engelmann*
Logo após ler mensagem do Malú pedindo um texto sobre musica negra e Michael Jackson, visitei o blog para me situar, embalado que estava pela black music & grooveria ltda., e...
putz! deparei com um verdadeiro compêndio sobre os Borges. Veio na hora em minha cabeça o céu, o som, o sol, o Sul de Minas e a lembrança de uma viagem que fizemos em 1990 (este que vos escreve, Malú, Zequinha, Wirts e Fabinho) no feriado de Páscoa, em que percorremos alguns caminhos e cidades (bem na divisa: Paraisópolis, Brasópolis, Piranguinho e alguns vilarejos). Combinamos no susto, na sexta-feira santa e saímos com o sábado de Aleluia nascendo, bem cedo, junto com o friozinho daquela manhã enevoada de outono. Sem rumo certo, meio 'easy riders'. Lembro da trilha sonora que rodava no velho toca-fitas: Pink Floyd, Triumvirat (atenção roqueiros: quem se habilita a escrever sobre...), uma coletânea com The Firm, Crosby, Stills and Nash, Genesis, também Beto Guedes, e ele:
Lô Borges. Via Láctea.
Assim como “Off the Wall” de Michael Jackson, este Via Láctea” é um dos fundamentos da minha história musical (como pode, Michael Jackson com Lô Borges?). Geléia geral.
Explico: em 1979, começo do FM, nas tardes passadas na casa da minha madrinha tia Olga, o então namorado da minha prima trazia discos (só vinil): Jean-Luc Ponty, Krafwerk, Milton Nascimento, Lô Borges..., e quando o som estava no FM, na rádio JP2, tocava MJ, EW&F, Kool & the Gang, Chaka Kan, Jimmy Bo Horn, e também boa MPB, de vez em quando a Mineirada, e entre eles Lô Borges – Tudo que você podia ser, Chuva na montanha, Vento de Maio (também inesquecível na voz de Elis Regina). Aprendi a ouvir música. Embora o som dançante tenha predominado e culminado com as histórias narradas nos “Passagens” (capítulos do ainda inédito livro sobre a nossa antiga Turma do Ponto, de São Caetano), nas horas mais introspectivas rolava a Mineirada, Tom Jobim e toda a bossa nova, o jazz norte-americano e o nacional. Várias influências nada a ver, mas tudo a ver, e que, hoje, após trinta (1979-2009!!) anos envelhecidos em barris de carvalho, resultaram num blend que, por enquanto, celebro no gênero intitulado Acid Jazz (mais dançante). Também Nu Jazz, mais introspectivo (meio mineiro?) e demais vertentes correlatas. Mistura de som dançante com influências da disco music, do jazz, da bossa nova, com arranjos R&B, samplers, sintetizadores Moog. Bandas: Incógnito (primeiro álbum: Jazzfunk), Ed Motta Dwittza (imperdível), Jamiroquai, US3 e por aí vai (vou melhorar a discografia). Raízes: Quincy Jones no final dos anos 1960, Henry Mancini, idem. Por fim, MJ ficou pra depois, tocado que fui pela lembrança da Mineirada que, confesso, andava meio empoeirada por aqui. E este texto que se pretendeu jornalístico virou, de certa forma, um “Passagens”, com trechos que só os iniciados na Confraria do Ponto de Táxi entenderão.
Meio piegas, digamos açucarado. Ou melhor: doce de leite. Com queijo branco fresco...
Dica Triumvirat: os álbuns sempre tinham um ratinho branco na foto da capa...
*Rogério Engelmann é arquiteto e grande apreciador da geléia musical , principalmente com calda black e um queijinho acompanhando.

Them Crooked Vultures


Um cara do rock:Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana, líder do Foo Fighters, envolvido em dezenas de projetos paralelos e participações especiais em discos de amigos. Outro cara do rock: Josh Homme, vocalista-guitarrista, ex-Kyuss, fundador e cabeça pensante do Queen of the Stone Age. Dois caras que se conhecem há tempos, tentando fazer um projeto juntos, e que por circunstâncias aglutinadoras, acabam sintonizando a mesma frequência de um terceiro cara, na verdade, uma legenda do rock: John Paul Jones, ele mesmo, ex-baixista do Led Zeppelin. De dois, três anos pra cá, esse power trio começou a ensaiar na surdina e o entrosamento foi imediato. O que parecia de início fátuo, do tipo ensaiou-gravou-adeus, acabou criando velcro, profundidade e uma identidade própria. Batizou-se o trio de Them Crooked Vultures. A coisa só se tornou pública algumas semanas antes do primeiro show, e logo surgiram os primeiros vídeos promocionais no Youtube. No momento, o trio segue em sua turnê inaugural e o primeiro disco, com lançamento previsto para semana que vem nos EUA e Inglaterra, tem o áudio completo disponibilizado no site oficial da banda: http://www.themcrookedvultures.com/
O som é rock + rock x rock. Tem os tentáculos do Nirvana, do Foo Fighters, do QotSA e do velho Led sim. Mas também tem timbres estranhos, vocais etéreos, experimentações em busca de som próprio. O peso do grunge impera, mas há momentos peculiares como em Scumbag Blues, que transpira novidade, ao mesmo tempo que nos remete ao clássico Cream.
Não basta juntar músicos consagrados, e colocar para secá-los, como se superbanda fosse superbonder. Os caras precisam primeiramente agir com as próprias pernas e braços, sem interferências externas, caso contrário, vira armação pura. Depois vem o entrosamento natural, e isso não tem genérico pré-fabricado. Junta-se o telento nato, as influências de cada um, e têm-se um projeto honesto, útil, emocionante. No caso desse mais novo "supergrupo" da praça, parece que a coisa vai por aí.
Mais:
show em Brixton, 26-08-2009: http://www.youtube.com/watch?v=x1ISnz7LQDk

9 de novembro de 2009

O apoteótico Genesis nos tempos de Peter Gabriel

Durante minha já longa viagem rumo ao interior da música atemporal, eu fiquei paralisado, boquiaberto e com o coração acelerado em parcos momentos: talvez quando ouvi os Stones pela primeira vez, ainda guri, e que me abriu os ouvidos para o rock and roll, o rithm' and blues e o rock que veio a seguir; talvez quando descobri a coleção de discos do meu pai, "História da MPB" da Abril Cultural, com biografias e músicas essenciais, que propiciaram a minha descoberta simultânea da MPB Clássica ( Pixinguinha, Noel Rosa, Sinhô, Cartola, Nélson Cavaquinho, Adoniran, entre outros), Bossa Nova, Jovem Guarda e MPB Moderna ( Chico, Caetano, Elis, Jorge Ben, Secos & Molhados, entre outros) ; talvez ao colocar o LP original Clube da Esquina, de Milton Nascimento, Lô Borges e grande elenco na vitrola e escutar todos os seus pormenores, respirações e silêncios – e a partir daí prestar mais atenção no jazz e nos instrumentistas brasileiros; talvez ao reavaliar os Beatles já na década de 80 e perceber a sua quintessência; talvez quando o punk rock explodiu em meus ouvidos; talvez quando comprei os LPs de 1971 a 1975 do Genesis – uma das sequências mais criativas de uma banda progressiva ( que inclui o belo "Selling England By the Pound", capa acima) - e ouvi-os em um verão inteiro, incluindo também Pink Floyd ( do primeiro até o "Prisma"), Jethro Tull ( Aqualung) King Crimson e Emerson, Lake & Palmer (os três primeiros). Por gostar dos dois lados da moeda ( Punk e Progressivo), fiquei desconsolado quando o punk decretou a morte do "rock de concerto", e resolvi intercalar Ramones, Gentle Giant, Yes, The Clash na vitrola, só pra contrariar. Esse negócio de rock contra rock é coisa de “desroqueiros”.
O Genesis da fase citada, com Peter Gabriel, Mike Rutherford, Tony Banks, Steve Hackett e Phil Collins, nunca mais deixou de freqüentar meus ouvidos. Além do instrumental impecável, das longas suítes viajantes e do vocal incomparável de Peter ( que eu considero um dos mais marcantes da década), ainda havia as narrações, as fábulas nas letras, o teatro e a encenação no palco. Quem conheceu o Genesis pós-Peter Gabriel, fase que eu respeito muito, pela coragem de Phil Collins em assumir o navio, mas que se voltou com o tempo para um correto pop-rock sem grandes experimentações, não conheceu a alma original da banda, com toda a sua verve e inquietação. O Brasil ainda conseguiu capturar essa mágica no ar, quando o Genesis se apresentou por aqui em 1977, sem o crazy Peter Gabriel, mas ainda com o genial Steve Hackett, que também fez muita falta, ao largar a banda pouco tempo depois. Peter Gabriel seguiu solo, ainda louco, mas direcionando seus surtos para o tecnopop e o emergente videoclipe, que ele ajudou a revolucionar nos anos 80 via MTV.
Eu já era fã incondicional da banda e sabia da desenvoltura performática do vocalista, mas quando finalmente botei os olhos nos vídeos dos anos 70 – ato impensável na época pré-You Tube – pude comprovar: Peter Gabriel, por detrás de máscaras e maquiagens, incorporava Peter Gabriel melhor do que ninguém!
Comprovem a grande viagem do Genesis, numa overdose de filmes pescados no YouTube:
“Twilight Alehouse” – Especial na Bélgica - 1972
http://www.youtube.com/watch?v=0NetKCTVFEA&feature=related
“The Fountain of Salmacis” – Bélgica 1972
http://www.youtube.com/watch?v=KUiSZdA3w9Y&feature=related
“The Return of the Giant Hogweed”– Bélgica 1972
http://www.youtube.com/watch?v=2HDDCJ9lKKI&feature=related
Genesis no Piper Club Rome – 18 de Abril 1972 ( video raro da TV)
http://www.youtube.com/watch?v=XcnkjvHXwaU&feature=related
“The Musical Box” – Bélgica 1972
http://www.youtube.com/watch?v=uc5U5K_Vmy0&feature=related
“The Musical Box” (live 73)
http://www.youtube.com/watch?v=AFBY4dvoISc&feature=related
Programa Seven Ages of Rock – Especial Genesis (com depoimentos)
http://www.youtube.com/watch?v=M_IA-HlbRHg&feature=related
“Supper's Ready”, Club Bataclan (1973 – França ) extraído do DVD
http://www.youtube.com/watch?v=wzWdDCtC1IM&feature=related
“Watcher Of The Skies” na University Sports Arena, Montreal – 20 de Abril de 74 – a qualidade não é boa, mas vale pela “presença” do vocalista
http://www.youtube.com/watch?v=g8EkU3Ta5Ys&feature=related
“Knife” - "Le Club Bataclan", Paris – 10 de Janeiro de 1973
http://www.youtube.com/watch?v=5XhDHJNuyXw&feature=related
Genesis em Shepperton - 1973
http://www.youtube.com/watch?v=gArAdvoqY3A&feature=related
Clipe especial em homenagem à banda com "Carpet Crawlers" de trilha
http://www.youtube.com/watch?v=ToK_CCzW6jw

6 de novembro de 2009

Seguindo o Zé!

Zé Geraldo não frequenta o Faustão e nem o Gugu, pouco aparece no rádio, não tá em bate-papo na internet. Quem quiser ver o artista Zé Geraldo, tem de botar o pé na estrada e vê-lo ao vivo, coisa que ele faz há pelo menos 30 anos. Como diz uma música de seu vasto repertório, "Tô Zerado", de 2002: "...sou feliz por não ter mais a ilusão de aparecer nos programas do Gugu e do Faustão". Eu tive o privilégio de vê-lo, em plena São Thomé das Letras, ano 1992. Um clube pequeno, palco pequeno, e como é do seu feitio, ao planar em terreno simples, Zé se agigantou. Tocou tudo o que tinha direito: Cidadão, Maria Bonita, Como diria Dylan, Senhorita, Mistérios, Semente de Tudo, Lua Curiosa, Milho aos Pombos e tantas outras pérolas do seu cancioneiro, ora puro, ora desafiador. Pra completar a noite perfeita, reencontrei-o depois do show, em um bar rústico, onde para felicidade geral, ele sentou e tocou despretenciosamente uma penca de canções tocantes, incluindo Raul Seixas, Renato Teixeira e músicas suas. Inesquecível!

Quem o conhece pouco, preste atenção nas letras, feitas de vivência. Quem já o tem como trilha, sigamos, pois Zé Geraldo como sempre, tá na longa estrada da vida, tocando como nunca.
Para conhecer sua história ( e ouvir uma vitrola especial de fundo, com todas as músicas da sua carreira):
Para segui-lo na estrada virtual:
Entrevista para o programa Pé na Porta de Clemente (maio 2009): http://www.youtube.com/watch?v=_Ruook0JFwY
Outra entrevista, interativa, de 2008:

31 de outubro de 2009

Asterix 50


O baixinho e irredutível gaulês Asterix completou 5 décadas no último dia 29 - uma data que merece ser comemorada por todos os seus milhares de leitores espalhados pelo globo. A efeméride relaciona-se a um dos personagens mais cativantes e espirituosos dos quadrinhos, que extrapolou a arte e virou símbolo perpétuo francês. As sacadas geniais são inúmeras desde o início, graças principalmente ao criativo roteirista René Goscinny, falecido em 1977. O parceiro Albert Uderzo, exímio e incansável desenhista do herói, teve a dificílima tarefa de prosseguir com o personagem, mesmo sabendo que a verve humorística do co-criador Goscinny fosse insubstituível. A garra e o amor ao personagem deu forças ao artista e seu esforço foi recompensado: depois de 34 álbuns best-sellers, Asterix chega ao seu cinquentenário com saúde e fôlego absoluto, principalmente depois que o octagenário Uderzo assinou contrato para que seus dois assistentes, que o ajudam há anos na empreitada, continuem dando vida à Asterix. Um brinde a todos da aldeia gaulesa, de preferência com a poção mágica do velho druida Panoramix, com votos de vida longa a essa fantástica saga que encanta gerações.
Saiba mais sobre as comemorações e os novos projetos:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n09102009_11.cfm

26 de outubro de 2009

Almanaque Brasil

História, música, curiosidades, biografias, passatempos, literatura, arte, folclore, cultura. O Almanaque Brasil, que completou 10 anos em 2009, traz em suas páginas tudo isso e muito mais. Eu tive o privílégio de acompanhar a trajetória do Almanaque desde o início, quando alguns integrantes da redação da revista apareciam no Dedoc para pesquisar as pautas e as imagens do mês - a agitada repórter Janaína, o concentrado pesquisador Henrique, a grande fotógrafa Yolanda Huzak, com um histórico profissional e social digníssimo...
A publicação é uma cria da mente incessante de Elifas Andreato e teve desde o início a providencial ajuda editorial do seu parceiro de desafios Mylton Severiano; deu no que deu: um belo exemplo de cultura em revista, bem nos moldes dos antigos almanaques. E o melhor, é que além da sua distribuição nos vôos da TAM (desde o nº1) e um esquema normal de assinaturas, o Almanaque Brasil está integralmente na internet. Confiram, conheçam, divulguem. Em meio à tanta cultura inútil e fofocaiada assolando bancas e web, o AB é uma arca lotada de tesouros, pronta para ser desenterrada.
ps: as capas, todas elas, são maravilhosas, feitas sempre por renomados artistas. No destaque, a capa de setembro, de Gringo Cardia.

22 de outubro de 2009

E o disco tocou...

por Marcelo Tieppo

Era um garoto que ainda não gostava de Beatles e de Rolling Stones, pelo menos não como gostaria alguns anos mais tarde, e que gostava mesmo era de fazer gols pelas ruas do Brás e de sofrer ao ouvir o Corinthians pelo rádio de pilha.
Época de jejum e de promessas. O compacto ganho tinha de um lado o hino do Corinthians e de outro uma marchinha gravada por Silvio Santos, que tinha um trecho assim: "quem é que não vê que o Corinthians nasceu com o destino de ser campeão, reparem que quando ele perde é porque francamente o juiz foi ladrão. É minha opinião".
O fato é que o garoto prometeu tocar o hino só no dia em que o alvinegro levantasse uma taça. A vitrola foi ajeitada em 74, 76 e no segundo jogo da final de 77, mas nada de a agulha desencantar e o grito e o hino ficavam engasgados mais uma vez.
Naquele dia 13 de outubro de 77, o garoto limpou o compacto com capricho, comprou uma agulha nova, escutou a marchinha de Silvio Santos para se inspirar e deixou tudo pronto para finalmente ouvir o hino corintiano no último volume.
Depois do gol de Basílio, os minutos finais pareciam uma eternidade, mas como não há mal que dure pra sempre, o hino tocou 23 vezes assim que Dulcidio Wanderlei Boschilla apitou o fim do jogo.
No dia seguinte, ironia do destino, o garoto participou de uma competição de escolas no programa Silvio Santos. A tal marchinha não tocou nos intervalos, mas o hino corinitiano ecoou naquele estúdio da então TV Tupi mais 23 vezes.
Em tempo: o compacto tocou tanto nos anos seguintes que não suportou tamanha emoção e foi substituído alguns anos depois.

(Marcelo Tieppo é jornalista profissional, louco por música e corinthiano desde a barriga da sua mãe)
* Texto original do blog do autor com reprodução autorizada pelo mesmo: http://giattitieppo.zip.net/index.html

21 de outubro de 2009

Discos que nos Tocam 4: “Balançando com Milton Banana Trio” (1966)

por Duda Moura

Disco lançado pela Odeon em 1966 com o grande baterista Milton Banana no comando do trio. Na minha opinião o melhor álbum dos vinte que lançou ao longo de sua carreira solo, o que mais chama a atenção é o suingue de um verdadeiro brasileiro, sua simplicidade ao tocar coisas consideradas complexas pelos bateristas e sua pegada do morro, invejada por todos os músicos.
Apesar das músicas terem um conceito jazzístico da época de ouro dos trios de samba jazz, Milton, junto com Cid ao piano e Mario no contra-baixo acústico, conseguem passar algo inexplicável, de sintonia sonora tão brasileira, quase mágica. Destaque para a música “Cidade Vazia” de Baden Powell e Luis Fernando Freire que pode ser conferida no tributo ao Milton Banana no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ifWZiy1J2_4
Pra quem não sabe, Milton Banana foi o baterista que acompanhou Tom Jobim, João Gilberto, Stan Getz, dentre outros, no Carnegie Hall em Nova York em 1962, no show de Bossa Nova que mudou a história da música mundial.

Track List do álbum:
01 - Cidade Vazia (Baden Powell / Luis Fernando Freire)
02 - Barquinho Diferente (Sergio Augusto)
03 - São Salvador (Durval Ferreira / Aglaê)
04 - Amanhã (Walter Santos / Tereza Souza)
05 - Improviso (Cido)
06 - A Resposta (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
07 - Sonho de Um Carnaval (Chico Buarque)
08 - Feitinho Pro Poeta (Baden Powell / Luis Fernando Freire)
09 - Aruanda (Carlos Lyra / Geraldo Vandré)
10 - Tristeza (Haroldo Lobo / Niltinho Tristeza)
11 - Ora Bolas (Ian Guest / Zilmar de Araújo)
12 - Encanto Triste (Durval Ferreira / Pedro Camargo)

(Duda Moura) - baterista profissional e professor de bateria, integrante do Double Duo Jazz Quartet e autor do Método de Bateria "Ouvir e Tocar"

16 de outubro de 2009

Mundo dos Super Heróis: nas bancas e na Fest Comix



A revista Mundo dos Super Heróis surgiu em julho de 2006, com uma proposta inovadora: reunir em uma só publicação, dossiês minuciosos dos grandes heróis dos quadrinhos, perfis amplos dos maiores autores - tanto dos atuais como dos grandes mestres, cobertura jornalística sobre a cultura HQ e lançamentos na área, reportagens sobre o quadrinho nacional, análises de seriados de TV e cinema, coluna sobre action-figures e desenhos de leitores. O que poderia virar uma salada destemperada na mão de incautos, acabou se tornando uma grande publicação, graças à obstinação do editor Manoel de Souza e sua sagaz equipe especializada. O cuidado de cada edição, a diagramação bem estudada, a qualidade gráfica, a capa milimetricamente produzida, a pesquisa aprofundada, tudo isso tem a ver com a dedicação apaixonada que floresce em cada fechamento e resplandesce no produto final. A última edição, já nas bancas ( capa acima) mantém a qualidade e traz grandes matérias: um rico dossiê sobre o Homem de Aço, dividido por décadas, completando o primeiro, publicado na edição nº1 da revista; perfil do polêmico e torrencial Todd McFarlane; matéria completa sobre o clássico Dick Tracy; cobertura do HQMIX e muito mais em suas 98 páginas. O sucesso da publicação já possibilitou o surgimento de novos produtos ligados à MSH. O livro Super-Heróis do Cinema e dos Longas-Metragens da TV, escrito pelo especialista e redator da Mundo, André Morelli já comparece nas boas casas do ramo e a edição 2 do gibi História do Brasil está em vias de publicação. Enquanto outros projetos são arquitetados pela brava redação, uma grande mostra da interação da revista com o mercado e seus leitores pode ser conferida em uma série de palestras produzidas pela Mundo e ministradas por grandes profissionais ligados à área, na 16ª edição da Fest Comix. Confiram no release acima e nos links abaixo a programação, e atentem para uma mudança de última hora , com a troca do desenhista Ivan Reis, que não poderá comparecer, pelo quadrinhista Klebs Junior.

Baú do Malu 12


Gedeone Malagola, mestre dos quadrinhos falecido no ano passado, foi citado no Baú 10 e eu precisava resgastar esta capa com a sua assinatura, feita para a revista Raio Negro nº 12 de 1968 ( Editora GEP). O super-herói, brasileiro da gema, veio à luz graças a cabeça criativa de Gedeone, num período em que vários outros personagens superpoderosos invadiram as bancas brasileiras. Já houvera um impulso anterior, quando o Capitão 7 bombou na TV na virada dos 50 e virou gibi pelas mãos de Jayme Cortez na Editora Continental, mas foi a partir do sucesso do lançamento das revistinhas de super-heróis da Ebal, vendidas somente nos postos Shell em 1967,que outras editoras resolveram lançar heróis também. Uma delas foi a GEP, do incansável Miguel Penteado, que apresentou a revista Raio Negro ainda em 1966, com os personagens Raio Negro e Hydroman em desenhos de Akimoto e roteiro e arte-final de Gedeone.
Só uma curiosidade: Gedeone Malagola, que já vinha escrevendo e criando desde a década de 40, fez parte da equipe de roteiristas do Capitão 7 no início da década. Sua relação com os uniformizados portanto, já vinha de longe.
Lá no alto, além da histórica capa, fiz questão de incluir uma página interna com o vilão Op-Art, na verdade uma auto-caricatura do autor. Op-Art, diminutivo de Optical Art, um subgênero na arte moderna, também remete à "trapo", lido ao contrário. Gedeone Malagola era um sujeito ágil mesmo....
Para saber mais sobre heróis Shell, heróis brasileiros e Gedeone Malagola:

15 de outubro de 2009

1000!!!!!!!!!!

Este humilde blog bateu nas 1000 visitas!
A todos que ajudaram, colaboraram, participaram e tiveram a paciência em acompanhá-lo, meu muito obrigado. Vamos seguindo, com muita velharia e saudosismo, mas também novidades e tendências. Logo haverá entrevistas inéditas neste espaço. Aguardem...
Para selar este momento, fiquem com o bardo e poeta Leonardo Cohen.
http://www.youtube.com/watch?v=xXaRT8CXmGE
http://www.youtube.com/watch?v=P0j14GrB-u8&feature=PlayList&p=CA0F969A83BA6706&playnext=1&playnext_from=PL&index=1

Kid Vinil, Nenê e Tinta Preta em noite Beatles

Na semana passada presenciei uma grande celebração musical, que por diversos motivos, não pude publicar aqui na sequência. Mas antes tarde do que nunca - o encontro merece esse registro.
No dia de 05 de outubro, como eu havia divulgado no blog, a Fnac Paulista reuniu em formato pocket show, diversos artistas em torno do lançamento dos três CDs do Projeto Beatles'69, idealizado pelo antenado Marcelo Fróes e seu selo Discobertas. Conheço o Fróes há uns dez anos, desde os tempos de Dedoc-Abril, quando ele vinha diretamente do Rio para selecionar fotos da Jovem Guarda para o seu livro sobre o assunto ( que saiu pela Editora 34 e virou referência). Com o tempo, conheci melhor seu trabalho e me encantei com o Internacional Magazine, tablóide musical que ele editava há um bom tempo e que vinha recheado de entrevistas, críticas e histórias da musica brasileira e mundial. Gostei tanto, que rapidamente assinei o jornal, e posteriormente tive o prazer de participar como jornalista, ao fazer uma matéria com o Duda Moura, grande baterista do ABC e camarada de tempos.
Com as idas e vindas da vida, não vi mais o Marcelo ao vivo, mas a dupla e-mail/internet manteve nossos papos em dia. Ultimamente, postei sobre o seu selo Discobertas e divulguei o evento na Fnac, onde presenciei momentos únicos.
Por chegar atrasado, perdi a apresentação da banda Surfadelica e a participação da Aretha, filha da Vanusa. Mas deu tempo de ver a simpática Wanderléa na platéia, que mora ali perto e estava de saída e finalmente rever Marcelo Fróes, que me apresentou vários artistas ligados ao projeto. Ao vivo, estava a incendiária banda Tinta Preta, que além de composições próprias instigantes, brindou o público com números espertos e incandescentes dos Beatles. Principalmente quando chamaram ao palco o polivalente Kid Vinil, empunhando uma camiseta do Mick Jagger e logo depois, Nenê dos Incríveis, ele mesmo, um dos melhores baixistas do rock nacional. O primeiro soltou o vocal em Come Together, junto à vocalista Erika, enquanto o veterano baixista, além de estraçalhar em beatles songs, nos presenteou com uma alegre "Vendedor de Bananas", de Jorge BenJor, sucesso com os Incríveis. Mérito também da banda, que segurou a onda dos convidados com propriedade. E mérito de Marcelo Fróes, que sabe como poucos, organizar um projeto eclético, mas sem firulas, histórico, mas ultra-moderno.
Na foto acima, a banda Tinta Preta em plena ação, com seu convidado especialíssimo, Kid Vinil ( se eu fosse viver de fotografia, tava passando fome - sorry!)

Rolling Stone e as mãos do Rock

Essa foto aí em cima está na nova Rolling Stone, que completa 3 anos de Brasil, e ao que parece, com fôlego de sobra para muitos anos. As mãos calosas em destaque, que tanto contribuíram para a história da guitarra, dos riffs e do próprio rock, são do sexagenário Keith Richards, que concede à revista uma mini-entrevista, enfeite diante das seis ótimas fotos publicadas na matéria (todas de Francesco Carrozzini). A edição comemorativa também traz o colírio Megan Fox, em depoimento revelador, as matérias políticas e polêmicas habituais, arquivo histórico com entrevista da banda Pearl Jam no auge do grunge e uma lista interessante das 100 maiores músicas da MPB - deu Construção de Chico Buarque em primeiríssimo lugar. Como toda lista do gênero, esta não foge à regra e gera estranhamento em alguns itens da seleção. Particularmente, eu deixaria metade e incluiria outras cinquenta. Mas gosto é gosto. O único porém da lista da RS é que não há explicação nenhuma de como se chegou às músicas selecionadas - como foi a votação? qual foi o critério? melhor deixar pra lá... e curtir essa mão curtida em rock.

Boas novas

Finalmente, depois de anos e anos de lacuna, eis que surge um sebo especializado em mangás, animês e quadrinhos em São Caetano. A Proxy, idealizada e capitaneada pelos irmãos Roberto e Manoel, tem material de sobra para os aficionados, incluindo séries e desenhos raros de TV, temporadas completas de animês, mangás clássicos e um variado acervo de gibis. Este último quesito é o grande destaque da loja, com centenas de exemplares da Marvel, álbuns contemporâneos, coletâneas de luxo da Panini e várias raridades na linha Disney, faroeste e infantil. Vale muito a pena passar por lá, não só pelos produtos em oferta, mas também pelo atendimento diferenciado dos donos, colecionadores e apreciadores de um bom papo cultural.
Endereço da Proxy Comic Shop: Rua Bom Pastor, n° 863, Vila Gerty - São Caetano do Sul - travessa da Visconde de Inhaúma, próximo à padaria Ben-Hur e à Fundação das Artes. Fone: 2311-2010

11 de outubro de 2009

Site Caymmi

Falei do mestre Dorival Caymmi no post anterior e não poderia deixar de fora seu novo site, Caymmi Acervo Digital, idealizado pelo Instituto Antonio Carlos Jobim com o providencial incentivo do governo federal e do projeto Natura Musical, que já rendeu frutos substanciosos para a cultura. A iniciativa de organizar e estruturar o site com peças inéditas do acervo pessoal de Caymmi partiu de seu filho e seu neto, Danilo e Gabriel Caymmi, além do músico Paulo Jobim, filho do maestro soberano Tom Jobim. Muito material ainda está em fase de captura e catalogação -a estimativa é que mais de 10 mil peças, entre documentos, correspondências, reportagens, partituras manuscritas, vídeos inéditos, capas de discos e milhares de fotos estejam disponíveis no site, que se divide em acervo e perfil biográfico. O trabalho árduo dura um ano, mas já rende um conteúdo considerável: 37 discos ( incluindo os 19 de carreira), quase 2000 fotos, 85 partituras, além de cartazes, pinturas, crônicas, jornais e revistas ( mais de 500 matérias). Um projeto à altura da grandiosidade de Dorival Caymmi. Que sirva de exemplo para que obras de outros mestres da nossa música tenham tratamento digno idêntico e se perpetuem na incomensurável teia da web.
http://www.dorivalcaymmi.com.br/

9 de outubro de 2009

Baú do Malu 11


Pererê nº3, dezembro de 1960. Essa jóia do nosso quadrinho nacional, que durou de 1960 a 1964, é considerada a primeira revista nacional de um só autor ( a revista Bidu também é de 1960 - quem chegou primeiro? Mas Bidu tinha outros autores, se não me engano). O personagem virou símbolo de uma época, juntamente com Brasília, a Bossa Nova e a revista Cruzeiro. Um clássico indiscutível, que trazia em suas histórias encharcadas de Brasil, toda as aspirações e esperanças de uma geração. Com o golpe em 1964, a revistinha acabou e Ziraldo se bandeou para suas outras 100 atividades paralelas, e o quadrinho brasileiro nunca mais foi tão profundamente brasileiro. Tentou-se uma volta na década seguinte pela Abril, mas os tempos eram outros. A Editora Salamandra iniciou há alguns anos atrás uma série de livros com a Turma do Pererê, com o intuito de publicar toda a saga em cerca de vinte álbuns, mas pelo andar da carruagem, a continuidade da coleção é uma incógnita.
Deleitem-se com esta beleza de capa e de lambuja, uma página interna com a simpática aparição de um de nossos mais queridos compositores populares, mestre Dorival Caymmi.
E para saberem mais sobre a antiga revista Pererê, uma ótima entrevista do autor,editor e pesquisador Wellington Srbek sobre o assunto:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/10/ziraldo-o-pai-da-perer.html

8 de outubro de 2009

Baú do Seu João 2

Meu pai sempre adorou cinema e televisão. Entre as suas velhas publicações cuidadosamente guardadas, destacam-se as dedicadas à sétima arte, como esta Cinelândia de novembro de 1952, que estampa a estrelíssima Elizabeth Taylor na capa, além da chamada de matéria sobre a não menos star Marilyn Monroe. Além da capa coloridíssima, posto também matéria interna, pra mim um grande achado, sobre a "Dama do Encantado", Aracy de Almeida. Para quem conhece a Dona Aracy só nos tempos de jurada do Silvio Santos, onde vivia distribuindo zeros e rabujices, não conhece a cantora boêmia amiga dos maiores cantores e compositores dos anos 30 e 40 e amicíssima de Noel Rosa. Graças a ela e sua perseverança em gravar as músicas do amigo precocemente falecido, o legado do Poeta da Vila não caiu no esquecimento. Para conhecer a Aracy de Almeida de verdade, clique aqui:http://www.samba-choro.com.br/artistas/aracydealmeida
E para apreciar essa surpreendente reportagem da Cinelândia, clique no próprio corpo da matéria abaixo.

5 de outubro de 2009

Beatles na Fnac hoje!

Hoje tem Beatles na Fnac Paulista. À partir das 19 horas acontecerá o lançamento dos 3 CDs do projeto "Beatles 69", engendrado pelo hiperativo Marcelo Fróes e seu selo Discobertas. Nele, o produtor arregimentou uma centena de instrumentistas e cantores para gravar todo o repertório dos Fab Four em seu derradeiro ano - artistas de todas os gêneros, como Frejat, Zé Ramalho, Capital Inicial, Ivan Lins, Mu Carvalho, Leoni, Leo Jaime, Fagner, Sergio Reis, Ultraje a Rigor, Autoramas, Carmem Manfredini ( irmã de Renato Russo), João Donato e Paula Morelenbaum, entre outros. A noite será de autógrafos, com a presença de Fróes, showcases de Surfadelica e Tinta Preta, participações especiais de Aretha, Esmerya Bvlgari, Kid Vinil e Nenê Benvenuti (d'Os Incríveis), além de outras surpresas.

Fnac Paulista - Avenida Paulista, 901. 05 de outubro, 19 horas.

2 de outubro de 2009

Discos que nos Tocam 3/ Meu Nome é Gileno - Leno (1976)


por Assênia Vinil Ossamo

Tendo uma coleção quase completa do rock nacional dos anos 60 aos 80, posso afirmar sem pestanejar: "Meu nome é Gileno" é um dos melhores discos do rock tupiniquim, em todos os tempos. Instrumental impecável, composições que grudam no ouvido, produção limpa, foi aclamado pela crítica e não vendeu tão bem na época de seu lançamento (1976), recebendo uma edição em CD em 1999, dentro da série "Jovem Guarda" da Sony. O discão tem várias misturas no caldo do rock, até resquícios da jovem guarda, mas definitivamente não é um vinil retardatário do movimento jovem sessentista, onde Leno se destacou já no seu final. Pra começo, tem participações e acompanhamento que não são pra qualquer um:a cozinha pesada da cultuadíssima banda O Peso,o ritmo de Paulinho Braga, um dos melhores bateristas brasileiros, a onipresença de Paulo César Barros, ele mesmo, lendário co-fundador da banda do irmão Renato nos Blue Caps, Dominguinhos, que não carece de apresentações e o encandescente Zé da Gaita, mito entre os músicos de todas as épocas. Com essa turma, dá pra segurar bem a fervura de qualquer caldo, mas Leno foi além: construiu um disco milimetricamente dosado, com partes iguais de peso, balada, saudosismo e veia roqueira.
Letra viajante empacotando um boogie danado ( Semente Cósmica), gaita e teclado ponteando saudades sessentistas ( Jovem Guarda), rock nostálgico com guitarra arrepiante ( Em busca do Sol), cuíca em perfeito casamento com o baixo e guitarra ( Depois do Carnaval), country rock de primeira ( Grilo City), balada arrasadora - caramba, o Fabio Junior dos tempos de "Ciranda, Cirandinha" apareceu uma ano depois e acabou perdendo a chance de gravar essa!! (Chuva do Amanhecer), versão honesta ( Luar do Sertão) , versão a la Stones ( Me Deixe Mudo), blues estradeiro ( Amigo Velho) e pop romântico ( Céu Dourado, do compositor Guilherme Lamounier, esse sim gravado pelo Fábio Júnior - só não sei se essa música também).
O disco ficou melhor ainda quando saiu em CD, em projeto do incansável Marcelo Fróes, pois foram acrescidas 4 faixas tiradas de compactos anteriores, bem adequadas à sua proposta: outra baladona nos moldes de Jovem Guarda, que vendeu horrores em seu lançamento ( Flores Mortas), rock and roll na veia ( Rock, Baby, Rock), pop setentista com outra letra saudosa ( Noites de Verão) e rockão de festa-baile ( É Tudo Rock'n'Roll). "Meu Nome é Gileno" é um disco a descobrir e certamente será uma grata surpresa para muitos, principalmente para quem deixar de lado o preconceito em torno da grife "Jovem Guarda". Parem de bobagem! o potiguar Leno, ex-Jovem Guarda, ex-parceiro de Lílian, amigão de Raul Seixas e compositor-cantor-instrumentista de mão cheia, fez e faz até hoje um rock autêntico e apaixonado. E esse petardo aqui, meus caros, é um grande momento dos anos setenta.
(Assênia "Vinil" Ossamo) - colecionadora e autora do livro inédito "Discos, Discos, Amigos à Parte"

1 de outubro de 2009

JB/AB - A volta

A volta vinha se insinuando desde 2004. Neste ano, a coisa tomou forma e o novo CD confirmou. Atrasado, mas inevitavelmente emocionado, reitero a retomada de uma das mais brilhantes duplas da nossa música brasileira, que durante quase uma década inteira, nos presenteou com pérolas do cotidiano e obras-primas indiscutíveis: JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC voltaram a compor juntos!
Acompanhem a trajetória dos dois , conheçam o novo disco com as novas composições da dupla e relembrem momentos sublimes com o próprio João ao violão, Elis Regina, que lançou a dupla e incorporou diversas canções deles e uma raridade: Aldir cantor, em uma gravação em homenagem à sua carreira:
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/09/28/ult581u3512.jhtm
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/07/06/e06077854.asp
http://www.mpbnet.com.br/musicos/aldir.blanc/
http://www.joaobosco.com.br/novo/
http://www.youtube.com/watch?v=3xOh-kwRvxc&hl=pt-BR
http://www.youtube.com/watch?v=qM09qTwmaJ4
http://www.youtube.com/watch?v=vqSiCuRhVCg&feature=PlayList&p=B3C4844A0243CBF4&index=4
http://www.youtube.com/watch?v=6kVBqefGcf4

Ivan Saindenberg

Ontem, mais um mestre dos quadrinhos nos deixou: Ivan Saidenberg, um dos recordistas em roteiros Disney para a Editora Abril, com mais de 1000 histórias no currículo, destacando a sua original intervenção no universo de Zé Carioca nos anos 70, personagem que foi totalmente remodelado e criou identidade marcante própria graças à sua criatividade sem limite. Outro que alçou vôos maiores em suas mãos foi o Peninha, que ganhou até poderes extras como Morcego Vermelho. Pedrão, Afonsinho,Vila Xurupita, Anacozeca, os primos Zé Jandaia e Zé Queijinho, Vovô Metralha, Biquinho, tudo saiu da cabeça desse grande autor, que tabelando com a arte e criação única de Renato Canini e outros artistas do Estúdio Disney, fez história.
Saiba mais sobre a morte e a obra desse excepcional criador:
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n01102009_09.cfm

30 de setembro de 2009

Baú do Malu 10

Do fundo do meu abarrotado armário, encontrei este exemplar nº1 da revista em quadrinhos As Aventuras de Beto Carrero, com esta chamativa capa do mestre Eugênio Colonnese que trago em destaque. Saiu em junho de 1985 pela Editora Cluq, que tinha em sua diretoria o próprio Eugênio e Wagner Augusto. Os colaboradores eram Gedeone Malagola e Helio do Soveral. Embora as histórias seguissem a premissa do bang-bang, também incluíam algumas paisagens bem brasileiras, como o Pantanal, em belos quadros do professor Colonnese. Heróica e prolífica trupe essa da Cluq: Gedeone Malagola, falecido há um ano, aos 84 anos, foi um dos maiores nomes dos quadrinhos nacionais, incentivador da nona arte até o fim e autor de milhares de histórias; Helio do Soveral, português de nascença, radialista, radionovelista, escritor e argumentista de histórias em quadrinhos, principalmente terror, fez muito sucesso nos anos 60 e 70 com seus livros infanto-juvenis e virou mito em Copacabana. Morreu por atropelamento em 1991, aos 82 anos. Wagner Augusto, um dos nossos maiores especialistas em HQ, à frente do Cluq (Clube dos Quadrinhos) já fez verdadeiros milagres no mercado dos quadrinhos nacionais, como o resgate da saga de Ken Parker em álbuns magníficos e acurados, embora em edições limitadas. E por fim, o grande mestre Eugênio Colonnese, italiano radicado no Brasil desde 1964, incansável artista falecido em agosto de 2008, aos 78 anos - uma vida inteira dedicada aos quadrinhos. Nos últimos anos dava aulas de arte sequencial em sua Escola Estúdio de Artes, em Santo André (no bairro de Utinga, pertíssimo da minha casa).
Fica aqui minha homenagem a todos esses profissionais citados, incluindo também o empresário que virou personagem, Beto Carrero. Na área de entretenimento foi um dos maiores, e quando faleceu, em fevereiro de 2008, deixou para a posteridade um dos maiores parques temáticos da América Latina, o Beto Carrero World. A sua paixão por quadrinhos propiciou o surgimento não só desta revista da Cluq, mas também o personagem infantil Betinho Carrero, com revista em circulação.

29 de setembro de 2009

Plínio Marcos

Hoje, terça-feira 29-09, o Teatro Arena realiza a partir das 19 horas, reunião para homenagear o aniversário do dramaturgo Plínio Marcos, falecido em 19 de novembro de 1999 ( o que será que diria Plínio, que era místico, sobre essa sucessão de noves?). O encontro terá depoimentos de amigos e admiradores, roda de samba e comemora também os 50 anos da primeira montagem da peça Barrela.
mais informações: www.pliniomarcos.com

Só uma grata lembrança: eu e a saudosa Sonia Franiek, da minha turma de jornalismo da Metô, entrevistamos o homem, se não me engano, em 1990. Ele estava numa fase totalmente mística, jogando tarô e lendo cartas. Lembro que seu pequeno apartamento no centro tinha uma única vidraça aparente, mas um pano escuro não deixava a luz de fora atravessá-la, o que deixava o ambiente interno totalmente escuro. A conversa se apagou da minha memória, mas lembro nitidamente da grande barba do Plínio, iluminada pela vela acesa sobre a mesa, sua roupa que lembrava a de um mago e a indefectível boina no cocorucho. Um momento mágico e surreal, com toda a certeza.

Seu Salomão, o grande

No encarte do LP original Os Borges, Seu Salomão, patriarca da família (ver post abaixo), faz um depoimento emocionante que traz revelações arrebatadoras e pistas preciosas sobre cada um dos filhos. E claro, todo o seu amor à Dona Maricota. mãezona dessa renca do barulho.

"Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Trinta anos de jornalismo não me tornam fácil este depoimento pessoal, na verdade tão difícil quanto o início da "composição" de minha série de onze filhos e sete frustrações, em "parceria"com Maria Fragoso Borges, ex-Maria da Conceição Fragoso. Conceição para os íntimosFragoso para os nem tão íntimos e Maricota, para mim que durmo com ela, todas as noites, há mais de quarenta anos...
A idéia de tomar Maricota por companheira , por toda a vida, estalou no meu cérebro e repercutiu no meu coração numa certa noite de junho. Eu a conheci desde os bancos escolares, mas nem a título de pilhéria admitia a hipótese de que ela pudesse vir a ser minha esposa . Na tal noite , porém, depois de dançarmos e conversarmos, numa festinha de aniversário na casa de meus pais, onde eu vivia, decidi de imediato,que seria ela ou ninguém. Amor puro, profundo, repentino.Eu sabia que não se tratava de paixão e sabia, também, que o inesperado sentimento era recíproco, irreversível. E ela também sabia, embora não tivéssemos trocado uma só palavra sobre isto. Assim , dias depois, com absoluta convicção e tranqüilidade, eu disse à minha mãe: -A senhora sempre me aconselhou a procurar uma moça igual à Conceição, quando eu pensasse em casamento, não foi? Pois, bem- vou me casar com a própria Conceição. E ante o espanto de Paulina Borges, minha mãe, arrematei: Conceição ainda não sabe, mas já decidi que será ela ou ninguém. Dito e feito: menos de um ano depois, em maio, Mês de Maria, estávamos casados. Eu era, então, sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, 22 anos; ela, normalista quase professora, 18 anos. Algo indefinível dentro de mim sempre me impregnou de uma certeza, total e emocional, de que eu seria pai de muitos filhos, oito, no mínimo. Nem os cinco anos iniciais de malogros abalaram esta certeza, porque na realidade, há coisas que a gente sabe, mas não sabe porque sabe. E esta pródiga paternidade era uma delas . Não obstante, exatamente dez dias depois de havermos comemorado o quinto aniversário de casamento, quando Marilton, o primogênito nasceu, "inaugurando o marcador"e chorando muito, como qualquer recém-nascido que se preze, posso garantir que chorei muito mais do que ele, como qualquer pai coruja que se preze. Dois anos e oito meses depois, nasceu Márcio (Marcinho). E logo depois, numa sucessão muito rápida, foram entrando no palco da vida pela ordem, Sandra , Sônia, Sheila , Salomão (Lô Borges), Marcos (Yé), Solange, Suely (Dodote), Marcelo (Telo Borges) e Mauro(Nico). Claro que todos choraram e eu, mais do que todos eles, chorei. Maricota e eu ficamos simplesmente perplexos, apatetados, com a precocidade musical do Marilton, que aos quatro anos já cantava no rádio e começava a maltratar um cavaquinho e depois um violão, e depois um piano, e depois sei lá mais o que . Adolescente, desandou a compor e a criar acordes e harmonias ao piano e ao violão. "Trem "de doido. Tão atordoados ficamos que nem notamos que o menino Márcio vinha escrevendo às escondidas para uso próprio, mini-contos, crônicas, poesias, revelando espantosa facilidade para escrever sentimentos, situações, coisas e tipos humanos. Era demais pra mim. Eu me considerava jornalista razoável, mas reconheci, até com certo despeito profissional que o menino Márcio Borges estava começando por onde eu nem havia chegado... "Trem "de doido também. E as revelações domésticas foram surgindo - eu diria- aos borbotões. Todo mundo tocando alguma coisa, todo mundo fazendo música, todo mundo cantando. Pelo simples prazer de fazer música.E não era também o que a Maricota fazia quando jovem - uma tremenda cantora, lendo música como quem lê jornal ? E não fazíamos, ela e eu, duetos aceitáveis e até mesmo bons ? E nossos ancestrais e colaterais - maestros, cantores, instrumentistas ? Que culpa tinham os meninos agora ? Não havia remédio para aquela confusão toda. Tínhamos que aguentar a barra e até reclamações dos vizinhos. E tudo ficou mais complicado, quando resolvemos comprar um piano.Com o tempo a gente se habitua, e fomos levando. Lô e Yé tocando e cantando na rua com Beto Guedes e outros meninos; Marilton, ainda imberbe, tocando e cantando em casas noturnas, onde provavelmente ficou conhecendo Wagner Tiso e Milton Nascimento; Márcio escrevendo freneticamente com aquela sua desajeitada mão esquerda. Solange também cantando e já de violão em punho; Telo e Nico batucando piano e maltratando violão. E outros instrumentos, que apareciam lá em casa como que por encanto.Os vizinhos tinham razão. Maricota e eu num estado de permanente atordoamento tentando compreender o que é que estava acontecendo em nossa casa. Quando paramos um pouco para respirar - após vinte e dois anos de procriação, dezoito gestações ao todo - quando Maricota começou a perder aquela inefável e quase indefectível silhueta de mulher sempre grávida - um ao colo, outro no ventre - tivemos uma consciência mais nítida e mais assustadora de que nossa casa estava povoada de gente que só pensava em música, raramente em qualquer outra coisa. Marilton, Márcio, Lô, Yé, Solange, Telo e Nico eram destaques especiais na arte de roubar a paz e o silêncio. Sandra, Sônia, Sheila e Dodote enriqueciam a barulheira, cantando, e ouvindo discos, geralmente no volume de som mais alto possível. Dose. Os de casa já bastavam. Mas aí, outros maníacos musicais começaram a "pintar", como que por mero e "interessante" acaso. Primeiro veio o Milton, meio acanhado, meio sem graça. Helvius Vilela veio com ele ou antes dele? Não estou bem certo. E a patota foi crescendo- Wagner Tiso ( Beto já estava incorporado) Rubinho, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Martinha,até o Nelson Ned e mais uma porção de gente. Naná Vasconcelos sempre brindando a vizinhança com sua incrível poliritmia de garfos, pratos e panelas. O que quer que caisse em suas mãos . Milton Nascimento era "crooner" apenas, até que Marcinho conseguiu convencê-lo de que ele seria tão bom compositor quanto cantor. Daí por que Márcio Borges foi o primeiro parceiro de Milton . De música em música, de esquina em esquina, surgiu "Clube da Esquina" uma sequência harmônica que Lô fez na esquina de nossa casa ; Milton ouviu, gostou, colocou melodia; Marcinho pôs letra e título; e , algum tempo depois , ficou sendo o nome do famoso álbum de Milton e Lô, primeiro sucesso de Bituca, em disco, pois, a essa época, ele já havia se consagrado com "Travessia ", dele e de Fernando Brant , num festival. Até hoje ninguém perdeu o gosto pela música - estão todos em atividade. Marilton toca piano e canta , à noite , faz televisão , propaganda , durante o dia; Márcio, às voltas com as letras, em todos os sentidos, e também compondo música às ocultas, como é de seu feitio; Lô , Solange e Telo, juntos no LP "Via Láctea" e nos "shows". Um lembrete: a música "Vento de Maio" foi feita pelo Telo, com letra de Márcio, para variar. E os outros ? Os outros vão curtindo música sem pretensões e sem compromissos. Uma casa alegre, a nossa , sem dúvida, mas, sobretudo porque aprendemos a não cultivar nem dor, nem ódio, nem autopiedade, e estamos sempre de olhos abertos para o lado bom e bonito das pessoas e das coisas. E ai de nós se não fôssemos assim. "

Texto escrito por Salomão Borges, extraído do encarte do álbum "Os Borges", 1980, EMI Odeon.

28 de setembro de 2009

Discos que nos Tocam 2 / Os Borges - 1980


Bati cabeça pra escolher meu disco inaugural nessa série. Primeiramente, ia escrever sobre o lendário Clube da Esquina, mas aí pensei no incandescente Terra, do Sá,Rodrix & Guarabyra, que logo substituí pelo apaixonante primeiro trabalho do Sérgio Sampaio, quando me dei conta que só tava pensando em MPB e cravei no viajante Hotel California do Eagles, logo descartado pelo incrível Rain Dogs do Tom Waits, que foi ultrapassado pela lembrança do pungente The Final Cut do Pink Floyd, que logo evaporou-se com a volta da MPB na cachola, quando surgiu Elomar e seu apoteótico "Das barrancas do Rio Gavião..", que ficou por pouco tempo, pois pintou bem forte na mente o ‘Os Borges’, este que posto aqui, antes que mude mais uma vez de idéia ( mas lembrando que todos os citados acima podem aparecer na sequência) .
Os Borges! pra que vocês entendam esta escolha, preciso voltar um pouco no tempo. Nos anos 80, conheci mais profundamente o cultuado Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, com participações decisivas de dezenas de músicos, entre mestres instrumentistas, letristas geniais e amigos, iniciantes ou não, todos brilhantes. O LP me pegou de jeito: arrepiou de primeira, dançou nos ouvidos e me fez levitar por semanas. É certamente um dos meus discos de cabeceira. Um pouco depois, li o livro "Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina" do letrista fundador Márcio Borges e pude conhecer nas entranhas a bela e heróica história dos mineiros, desde a infância do Bituca ( Milton para os íntimos) até a Belo Horizonte sessentista e a sequência no Rio,entre o sucesso e o terror da ditadura, com a amizade sempre permeando tudo.
Quem lê o livro não esquece a fantástica família Borges, do patriarca Salomão e da matriarca Dona Maricota, que colocaram no mundo 11 filhos, e entre eles, 7 que acabaram seguindo a música. E se surpreende com o clima de amizade, respeito e cultura que reinava naquele apertado apartamento no centro de Belo Horizonte, lugar adotado pelo querido Milton Nascimento, que iniciou amizade com Maílton, o mais velho dos irmãos, mas logo virou unha e carne do seu mano Márcio, pretendente a cineasta e futuro letrista do Clube. Foi no livro que eu descobri a existência desta reunião familiar em 1980, ocorrida logo depois do Clube da Esquina 2, e que resultou neste apaixonante disco. Fui atrás , revirei sebos, corri o centro de Sampa e descobri que o LP não era fácil de achar. Os anos passaram, continuei ouvindo Lô, Milton, Beto, Tavinho Moura, Toninho Horta, Tavito, Flavio Venturini, mas os Borges reunidos, neca. Até que em 2003, a EMI comemorou seu centenário, lançando várias obras importantes de seu acervo, há muito fora de catálogo, com supervisão de Charles Gavin. Os Borges, vejam só, foram incluídos na terceira série do revival. Comprei, levei pra casa, escutei-o e nunca mais deixei de escutá-lo. Além do histórico narrado, a obra me tocou profundamente pelo seu conteúdo, pois ali estava a essência do apartamento de Belo Horizonte, as influências musicais da família e o clima de irmandade musical indo além da irmandade real.
Lô Borges, o único dos irmãos que alcançou maior projeção, catapultada por sua participação precoce como principal parceiro na acachapante obra chamada Clube da Esquina, de 72, além de gravações anteriores do próprio Milton em 70, acabara de lançar Via Láctea, o melhor LP de uma carreira pautada por poucos lançamentos discográficos e muitos shows. E neste disco em família, talvez intencionalmente, sua participação é discreta, mais focada na guitarra do que na composição ( na capa também é o que menos aparece), mas nem por isso menos importante. Márcio, primeiro parceiro,incentivador e figura chave de tudo o que aconteceu com Milton no início de carreira, também se consagrou como um dos letristas do Clube da Esquina, embora esse papel o tenha mantido naturalmente longe dos holofotes. Com o irmão Lô, seu principal parceiro, compôs dezenas de canções, muitas de sucesso. Mas tem também grandes parcerias com 14-Bis e Tavinho Moura, entre outros.
Marílton foi o primeiro dos irmãos a tocar profissionalmente e quem deu a faísca para a grande tração futura. Ele tocou antes com Bituca (e Wagner Tiso) e foi quem o levou para o apartamento dos Borges, onde foi imediatamente incorporado à família. O resto é história.
Telo, Yé, Solange e Nico invariavelmente compõem e participam de discos do Lô e de outros projetos. Telo inclusive fez para Lô dois de seus maiores sucessos: Ritata e Vento de Maio (c/ Márcio Borges). Dona Maricota, que cantou na mocidade e Seu Salomão, homem de imprensa, soltam a voz em alguns momentos dessa reunião.
Além do instrumental impecável, com predominância das cordas, o disco surpreende pela leveza, mesmo em temas mais constritos. É uma grande festa, com convidados saindo pelo ladrão, como bem convém ao espírito dos Borges. E cada faixa, de alguma maneira, surpreende. Em família, que abre os trabalhos, é leve e solta, feita especialmente para todos cantarem. Na cuíca, Marçal e nas tablas, prato, ganzá, panela e talkingdrum, o onipresente Naná Vasconcelos. A próxima, Carona, tem uma bela orquestração de Nivaldo Ornellas e cai como uma luva para o vocal do convidado especialíssimo Gonzaguinha. Voa Bicho, mais uma obra-prima de Telo e Marcio, com orquestração precisa de Guilherme Arantes e vocal inspirado de Solange, foi reaproveitada recentemente em uma das novelas globais, com vocais de Milton Nascimento. Em Um sonho na Correnteza, quase todos os irmãos participam ( a exceção de Marilton): Yé e Marcio compuseram, Yé e Solange cantam, o violão é do Yé, bandolim do Telo, sintetizador de Márcio (?!), guitarras com o Lô e percussão de Yé, Márcio, Nico e o baterista Rubinho (que toca em quase todas as faixas). Ainda, de Telo e Márcio again, ponto altíssimo do disco, tem a marcante presença de Guilherme Arantes na orquestração, regência, piano elétrico e vocal, dando a impressão de que é mais uma de suas composições. O Sapo, adaptada do folclore pelo Seu Salomão, é o momento mais descontraído dos disco, com todos cantando, inclusive pai e mãe, além do baixo de Ezequiel e piano do Marilton. A próxima, Eu sou como você é, é uma típica canção de Lô,com participação de Marilton, Paulinho Carvalho no baixo e Mario Castelo na bateria e injeta Liverpool e jazz na algazarra mineira. Outro Cais, tem a participação de uma pessoa totalmente enraizada no Clube da Esquina, pois além de ser a primeira cantora brasileira a gravar Milton Nascimento, continuou gravando músicas dele durante toda a carreira e um ano antes arrebentou em sua performance emocionada no Clube da Esquina 2: Elis Regina, musa eterna de Milton e de todo o Clube. Aqui, participa de terna canção, referência a “Cais”, obra-prima de Milton e Ronaldo Bastos, registrada por ela oito anos antes em seu LP. Nesse ponto o disco toca o céu. No tom de sempre, é de Chico Lessa, chapa dos meninos, e Márcio Borges, e lembra muito as músicas solares de Lô e Márcio, inclusive com as cutucadas estratégicas de Márcio na letra que sempre dá um jeito de botar política nas entrelinhas. O grande guitarrista Fredera, ex-Som Imaginário e membro ativo do Clube e da banda de Gonzaguinha, participa dessa ”faixa”. Qualquer caminho é uma raridade: traz Márcio Borges compondo sozinho e se não bastasse, dividindo o vocal principal com o mano Marilton! Daniel, a próxima, é a música mais doce de todas e o vocal inspirador de Solange é a grande responsável por esse clima de infância restaurada. Os convivas ajudam :Toninho Horta e Frederiko. E pra fechar com chave de ouro, o mentor Milton Nascimento, ex-hóspede e amigo eterno da family, canta com o caçula Nico, Pros meninos, composição pungente do próprio Nico e Duca Leal ( a produtora, co-autora também de Outro Cais e se não me engano, mulher de Márcio na época). Por tudo o que eu sei dessa história de amizade e música, o finale com Bituca é realmente de chorar. É por essa e todas as outras que esse disco, me toca. E eu sempre tocarei-o.
As canções do disco :
1- Em Familia (Yê Borges / Márcio Borges )2- Carona (Marilton Borges) 3- Voa Bicho (Telo Borges / Márcio Borges) 4- Um Sonho Na Correnteza (Yê Borges / Márcio Borges) 5- Ainda (Telo Borges / Márcio Borges) 6- O Sapo - Adaptação Salomão Borges 7- Eu Sou Como Você é (Lô Borges) 8- Outro Cais (Marilton Borges / Duca Leal) 9- No Tom De Sempre (Chico Lessa / Márcio Borges) 10- Qualquer Caminho (Márcio Borges) 11- Daniel (Nico Borges / Solange Borges) 12- Pros Meninos (Nico Borges / Duca Leal)